quinta-feira, 16 de julho de 2015

A doce revolta do passado



Mesmo com lágrimas nos olhos e com um estranho sentimento de falta, ela partiu
Mesmo relatando tudo que por ventura sentia e poderia sentir, ela partiu
Mesmo querendo recomeçar filtrando as partes boas do que já foi vivido, ela partiu
Mesmo ela sabendo que a presença dele poderia causar-lhe confusões de sentimentos e desejo, ela partiu
Mesmo tendo agora um melhor controle do que queria e sentia, ela partiu
Mesmo disposta a não arriscar nada e não envolver-se um milímetro a mais do que estava programado, ela partiu
Talvez ele não fosse capaz de alimentar todo aquele sentimento que ela tinha, dessa forma não valia a pena arriscar
Talvez ele não fosse capaz de está presente nos momentos em que ela mais precisasse, dessa forma não valia a pena ter
Talvez ele não entendesse que a mudança iria beneficiá-lo em muitos aspectos, dessa forma não valia a pena insistir
Talvez ele não percebesse que um dia não seria capaz de esquentar-se nas noites frias, dessa forma não valia a pena mudar
O que ela não percebeu era que ele por não ter coração preferia sentir a dor do vazio a vê-la chorar por tentar pela enésima vez algo que não daria certo, isso não faria dele um príncipe, nem dela uma princesa indefesa, isso pra ele minimizava os erros do passado e fazia com que os do futuro por ventura não acontecessem.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Sabrina



Então ela saiu, deixou pra trás todas as incertezas e antigos amores que o passado fazia questão de guardar e o presente tentava de todas as formas esquecer, alguns desses tentavam até perturbar o futuro, porém sem sucesso...
Para ela o amor tinha sido uma experiência prazerosa e passageira, de alguns dias e de varias noites, nada que aconteceu foi por acaso, sempre tinha um olhar, um cheiro, um toque diferente e com isso ela percebeu que não estava perdida no mundo e suas escolhas não eram a sorte, por algumas vezes ela misturava decência com álcool ou paixão com lagrimas, mas nunca misturou correntes com o amor...
As amarras que a prendiam tinham outras formas, o desejo, o proibido, o perigoso isso a prendia mais do que qualquer corda ou corrente amarrada nos pés, na verdade ela percebeu que não tinha pés e que por toda vida flutuo, por isso era tão diferente, por isso não se apaixonava, por isso não conseguia terminar o seu suco ... não tinha outra parte da sua laranja e pra ser sincera nem ela sabia se era laranja ou não, mas também do que importava, os sabores das coisas foram criados com as experiências que ela teve e não com o que ela ouvia das pessoas.

Com um sorriso no rosto ela nunca foi de ser uma só, sempre teve planos, loucuras e escolhas que por ventura poderiam ser mal feitas, mas que na verdade sempre a levavam para algum lugar, nem que fosse a uma cama de um motel barato, pra ela não importava o luxo das paredes e sim o prazer, o suor e o gozo que os dois corpos poderiam proporcionar-se...